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segunda-feira, 19 de abril, 2021

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Mãe do bairro Dom Antônio diz que Vale Renda é “benção” e gasta benefício com comida para os filhos

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Trufas, cachorro-quente e gelinho. O cardápio é tentador, mas a luta e o sacrifício por detrás do menu fazem qualquer um perder a fome. É com a venda desses alimentos que Fernanda, moradora do bairro Dom Antônio, em Campo Grande, ajuda a manter a família. A história dela é mais uma das tristezas escancaradas por aí. O alento financeiro só vem quando o auxílio Vale Renda, oferecido a 47 mil famílias pelo Governo do Estado, entra na conta bancária. Segundo ela, é nesse momento que as “bençãos” vêm em forma de pão e biscoito para os filhos. “Quando eu recebo o Vale Renda é uma benção. Já vou direto para o mercado comprar comida”, diz aliviada. 

Mãe de Samuel, 3 anos, e Carolyne, 12 anos, a dona de casa Fernanda Alexandra Miguel, 30, diz que o pouco dinheiro é uma dura realidade, apesar de todo esforço feito por ela e o marido, construtor civil, que agora está desempregado. O benefício de R$ 180,00 que recebe todos os meses do Governo do Estado é o que tem sustentado a casa. Mas antes de se cadastrar, em 2018, Fernanda enfrentou muitas dificuldades.

Hoje, quando o auxílio é liberado, o dinheiro já tem destino: comprar a comida que vai para a mesa. “O dinheiro não é nem para pagar água ou luz. O principal é comprar pão, biscoito, iogurte, as coisas deles”, disse. O que sobra, conta Fernanda, “aí a gente faz o pagamento das contas. Com ele muita coisa mudou na nossa vida”. Em dezembro de 2018, sem saber que o Vale Renda pagava o décimo terceiro salário, ela se assustou ao sacar o benefício. “Meu marido que me disse que era o 13°. Nossa, foi muito bom. Deu para passar um fim de ano tranquilo. Fizemos uma boa compra e deu até para fazer uma linguicinha na minha sogra”.

Passar fome ou correr atrás do caminhão de lixo para conseguir material reciclado não são coisas que envergonhem a família. “Vergonha é roubar. Eu já corri atrás de caminhão de lixo para juntar material reciclado. Eu e meu marido. Mas as 12 sacolas não deram nem R$ 200,00. Uma vez eu precisei apelar e pedi (nas redes sociais) doação de comida. Uns dias depois recebi ajuda de vários cantos. Mas eu sempre digo, não é para mim, são para os meus filhos”.

Esforçada, Fernanda busca conhecimento e tudo que apreende reverte em renda familiar. As trufas são fruto do curso profissionalizante do Programa Rede Solidária, também do Governo do Estado. “O meu primeiro Vale Renda eu investi na compra do chocolate pra fazer a trufa. Gastei R$ 100,00 e tive 100% de lucro”, conta a dona de casa que já está no curso profissionalizante de padeiro, também do Rede Solidária.

Apesar de oferecer até o serviço de entrega, a freguesia do hot dog não é assídua. Por vezes as vendas são fracas. Mas vender tudo também tem um lado ruim, segundo Fernanda. “Quando eu não vendo tudo, sobra uns pãezinhos, aí eu faço lanche para eles (filhos). Mas as vezes não sobra. Tenho pena porque o Samuel (filho) fala: ‘mãe, eu necessito de um cachorro-quente’”, conta, rindo do filho de 3 anos.

Fernanda chora ao falar das dificuldades, e agradece as oportunidades criadas pelos programas sociais do Governo do Estado para melhorar a renda da família

As lembranças de uma vida sofrida ao lado da mãe e um padrasto violento, surgem em meio aos relatos da vida na casa simples, no bairro Dom Antônio. A todo instante, enquanto fala das batalhas, é nítida a preocupação com os filhos (Samuel e Carolyne). Sem segurar o choro, Fernanda relata como é dolorido “querer dar e não poder”. “É muito duro seu filho acordar e dizer ‘mãe, quero pão’ e você não poder dar. Dói demais. Se precisar, eu tomo água. O problema não sou eu. Além dos 180,00 do Vale Renda, eu recebo R$ 80,00 do Bolsa Família. São as únicas certezas que a gente tem aqui em casa. As outras rendas não são fixas”.  

O marido, mesmo desempregado, aproveita o know how para fazer arte em madeira. “Ele faz muita coisa em madeira para vender. Ele está fazendo réplicas de poços, tamanho gigante, daqueles para colocar no jardim”. Quando as contas chegam e o marido fica nervoso, Fernanda coloca a fé em ação. “Eu digo pra ele não se preocupar. Eu tento deixar ele mais calmo. Eu digo para ele: ‘O dia de amanhã não pertence a nós. Espera no Senhor’”, finaliza confiante.

Vale Renda

Vale Renda é um programa desenvolvido pela Superintendência de Benefícios Sociais, da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (SEDHAST), que tem o objetivo de desenvolver ações voltadas para as famílias sul-mato-grossenses em situação de vulnerabilidade socioeconômica, auxiliando-as no trajeto para a independência e melhores condições de vida em um futuro mais digno.

A gestão do Programa Vale Renda é atribuição de órgão integrante do grupo responsável pela prestação de serviços ao cidadão e que orienta e executa ações que visam a inclusão social, promoção da cidadania e geração de emprego e renda.

Benefício

O Programa consta de um benefício financeiro que é atualizado anualmente, com base na inflação. O Vale Renda é o único programa de transferência de renda do país que repassa 13 parcelas anuais às famílias beneficiadas.

Além do aporte financeiro as famílias participam de reuniões socioeducativas mensais, oportunidade onde participam de palestras e empoderam-se de informações sobre seus direitos, serviços públicos, conceitos de cidadania, entre outros.

Critérios

Em Campo Grande, como em todos os outros 78 municípios do Estado, há equipes que visitam, cadastram e fazem acompanhamento das famílias, verificando se atendem os critérios pré-estabelecidos e em caso positivo, orientando-as para o posterior cumprimento das condicionalidades do Programa Vale Renda.

A família deve ter renda per capita inferior ou igual a meio salário mínimo; residir no Estado há pelo menos dois anos; e não ser beneficiária de outro programa social do governo federal, estadual ou municipal, exceto quando o valor total dos benefícios recebidos seja inferior ou igual a meio salário mínimo ou haja a integração de programas sociais entre as esferas governamentais.

Fonte: Portal do MS