A diferença é boa entre os dados oficiais do governo, fechados até ás 10h da manhã, e os da prefeitura de Campo Grande. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, nas últimas 24 horas foram 28 confirmados de covid-19 e não 20 como no boletim estadual.  Com a curva subindo em ritmo bem mais acelerado, bairros da periferia de Campo Grande despontam com infectados e reforçam a necessidade de isolamento e distanciamento sociais.

Los Angeles, Centro Oeste e Universitário estão com casos positivos para o novo coronavírus, que também chegou na Vila Carlota e no Caiobá, onde monitoramento da prefeitura ainda não havia registrado nenhuma ocorrência. Os três primeiros ficam na região mais populosa da cidade, o Anhanduizinho, sul da Capital.

Bairros onde a prevalência da doença já estava grande, apresentaram mais casos, como Centro, Tiradentes e Santa Fé, bem como Novos Estados, Vila Margarida e Chácara Cachoeira.

Os dados são do Sisgran (Sistema Municipal de Indicadores de Campo Grande), que ainda mostra casos suspeitos em bairros como Aero Rancho, Pioneiros, Centro Oeste, Parati, Caiobá, José Abrão, Vila Carlota, Santo Antônio, Tiradentes (qua também apresenta casos confirmados), Maria Aparecida Pedrossian, Santa Fé, São Francisco e Monte Castelo.

Hoje, alertando para o aumento repentino de confirmações na Capital, o prefeito Marcos Trad (PSD), sustentou que “a pandemia não acabou” e que o inverno se aproxima, período em que a proliferação da doença tende a ser mais rápida, devido as baixas temperaturas.

Estudo da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) indicava, em 2 de maio, pico de casos da Capital em 21 de julho, com 2.960 pessoas infectadas. Na ocasião, a Capital tinha 128 casos confirmados e duas mortes.

Fonte: UFMS
Novo levantamento da universidade foi feito, levando-se em conta dados até o dia 17 de maio, quando os números indicavam 172 confirmações e cinco óbitos em Campo Grande e 570 casos confirmados e 15 mortes por covid-19 em todo Estado.

Estado – Nesta nova etapa do estudo a análise foi em cima dos números de Mato Grosso do Sul e o período de pico passou para setembro, mais especificamente, dia 12 daquele mês e o total de casos alcançados antes de a curva começar a descer é de 6.557. No pior cenário, MS chegará a 17.824 casos.

O estudo é feito pelos professores do Instituto de Matemática, Erlandson Saraiva e da Escola de Administração e Negócios, Leandro Sauer, que definiram um modelo matemático para prever as situações, baseando-se em projeções com 10%, 20%, 30%, 40% e 50% em relação aos dados atuais.

“A partir desse modelo, estamos em uma fase de crescimento dos casos; e as taxas de notificação começarão a diminuir somente a partir de 12 de setembro, se nada for feito”, explicam.

Impacto no sistema de saúde – Com base nesses dados, os pesquisadores avaliaram que no caso de 20% de aumento da taxa de notificação, aproximadamente 200 pessoas precisarão de atendimento em leitos clínicos na última semana do mês de julho.

Com relação aos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), estima-se que aproximadamente 110 pessoas precisarão desse atendimento, também na última semana do mês de julho.

“No pior cenário considerado, 50% de aumento da taxa de notificação, os resultados mostram um colapso do sistema de saúde pública”, ressaltam no estudo. Com isso, entre 2 mil e 2,2 mil pessoas precisariam de atendimento em leitos clínicos e de  500 a 650 em UTI.

Isso, levando-se em conta média de 10 dias para internação em leitos clínicos e 21 dias em UTI.

Os dados de hoje do governo do Estado mostram aumento expressivo de casos não apenas em Campo Grande, mas também nas cidades de Itaporã e Dourados. São 746 pessoas positivas para covid-19 em MS desde os primeiros casos, em 14 de março e 17 óbitos.

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